Hoje, depois de um merecido sono que eu esperava a dias, parei para pensar em como andamos levando a vida em meio a tantas alterações que nos circundam dia após dia. Já chegamos a um ponto em que esquecemos como passar por cima de algo que não fará diferença em nossos atos. Passamos a nos importar demais com quando e como fazer aquilo que antes seria apenas a solução mais viável. Me indago frequentemente se estamos preparados para pensar duas vezes ante de tomar alguma decisão. Acredito que de alguns anos para cá, constantemente nos submetemos a mudar nossa perspectiva de vida de acordo com o mundo, alguém percebe a relevância e a irrelevância disso? Desconsiderando o fato de sermos nada mais que marionetes para um mundo capitalista, perdemos a ideia dos valores reais do que somos. As coisas ficam ainda mais complicadas quando alguém tenta voltar a ser como era antes. Alguém. Uma única pessoa. No meio de bilhões. Este alguém não sou eu com certeza, se mudo, mudo pro meu mundo e não para a sociedade e nem por isso deixo de me importar com o que ela pensa. Mas quero chegar ao ponto de que as desadaptações se tornam mais difíceis quando se está sempre tentando acompanhar (ou não) o ritmo de coisas que amanhã já estarão obsoletas. Os sentimentos estão obsoletos. E isso não é muito recente, mas também tem as suas consequências nas mudanças que são visíveis todos os dias. Assistimos e lemos nos jornais, notas de um mundo ultrapassado e para nós único, mas repleto de novidades e regras sociais a serem seguidas por quem quiser se integrar nela. Não é muito justo, mas hoje, parece ser aquele antigo meio "mais viável" a ser seguido. Tentar se integrar nela. Para quem nunca estará adepto a aceitar um mundo conturbado, eu ainda fico no grupo de quem está fora. Fora das piadas desta década, fora dos mini-shorts, fora dos silicones, fora das mentes que são menores que uma ervilha. Prefiro dançar sozinha, em frente ao espelho, minhas músicas com conteúdo e tema, ler meus livros debaixo de uma árvore que não tenha menos de dois metros, sob um céu que não tem um tráfego de aviões durante todo o dia. Estou trocando o meu amor pelo mundo, ao amor pela vida. Ela nunca mudará e sempre me deixará oportunidades de tentar mudar aquilo que tem poucas opções demais. Já tenho a minha garantia.
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| Imagem: Acervo pessoal. |

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