18 de novembro de 2011

GREVE NO JUDICIÁRIO GOIANO: CAMBALEIA, OH! THEMIS

 Imagem: Fernanda Manéa, http://www.flickr.com/photos/fernandamanea/1332399322/
              
            Amanhã (19/11/2011) a greve dos servidores do TJ-Go completará 60 dias.
            O Sindjustiça  alega que os salários estão defasados em 82,30%.
            O presidente do TJ-Go, desembargador Vítor Lenza, não se predispõe a diálogos com os seus “subalternos” e, dizem, está com laços não muito apertados com o governador do Estado, Marconi Perillo, que, por sua vez, mandou emendar o projeto do Judiciário e reduziu a reposição anual de 8,08% (proposto no projeto) para 6,47%.
            “Enquanto isso, na sala de espera”...
            A população goiana, que já sofria com a tão almejada justiça no sentido lato, agora é abandonada pela Justiça como órgão “garantidor” daquela.
            Se os trâmites dos processos iam a passos de tartaruga, o fato é que agora o quelônio parou de vez. 
            Diante disso, a desesperança assola cada rosto açoitado que clama pela resolução dos conflitos. Antes já era difícil para o cidadão ir a juízo “dizer o direito”, mas chegou-se ao ponto de nem poder exprimi-lo.
            O que (pasme-se!) abrange os próprios servidores, ecoando justiça salarial. Grito latente ouvido por todos, exceto pela alta cúpula dos poderes Judiciário, Executivo e Legislativo.  
A deusa grega da justiça, Themis, em Goiás está cega, surda, muda e careca!
Cambaleia em seu desequilíbrio... desbalanceada...
            Os advogados, que estão em contato direto com os jurisdicionados, veem as feridas abertas, juntando cada vez mais pus. Latejando o completo descaso pelas angústias dos cidadãos, que, diga-se de passagem, empunham uma das mais belas Constituições Federais do planeta. Mas, sabe-se, a beleza, sozinha, não basta.
            O que dizer do Estado de Goiás em que as crianças famintas não têm sequer o direito alimentar assistido porque os servidores do judiciário estão tão desassistidos quanto elas e, não suportando mais a tamanha responsabilidade sobre os ombros em troca de migalhas, paralisaram os trabalhos?
            Recorro ao saudoso Renato Russo nos versos:
 “Então, a culpa é de quem? A culpa é de quem?”





                                              Inquirições de advogada e cidadã goiana.


Sobre a Autora:
Rúbia Garcia de Paula Vivo em extremos êxtases passionais. Por vezes meu riso escancara, noutras há pranto a dilacerar minha alma. Me substancio em calmaria e explosão de sensações. Introspecta, permeio a Via Láctea: estrelas, gás e poeira. Porque sou inteira, não pela metade!

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